‘Sou guardião de um anjo’, diz Marcos Mion sobre filho especial.


Deficiente Ciente

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“Deus me deu um presente. Fui um dos escolhidos”, foi assim que o apresentador Marcos Mion, 34, iniciou um texto em seu perfil no Facebook na quarta. “Quem somos nós? Famílias abençoadas com uma criança especial.”

Trata-se de Romeo, 8. A revelação de que um dos seus filhos -é pai ainda de Donatella, 5, e Stefano, 3- tem um distúrbio de desenvolvimento que não se encaixa 100% no diagnóstico de autismo repercutiu e gerou apoio. A seguir, o depoimento do apresentador de “Legendários” (Record) à coluna:

“A primeira palavra que o Romeo falou foi mamãe, no dia do aniversário dele de um ano. Estava dentro dos padrões, mas bebê é tudo igual. Meus pais são médicos e minha mãe percebeu logo cedo a demora dele em desenvolver a fala e começou a conversar comigo e com minha mulher, Suzana [Gullo].

A gente visitou inúmeros especialistas no Brasil e no exterior. Todos dizem que ele não é autista. O espectro do autismo é amplo. Envolve comunicação, interação social e padrões comportamentais estereotipados. Como Romeo apresenta menos de seis sintomas, ele foi diagnosticado com um distúrbio de desenvolvimento definido como ‘invasivo e sem outras especificações’.

Um estudo de 2007 mostra que uma em cada 150 pessoas tem genes autistas. Existem graus severos, em que a criança não suporta o toque nem se comunica. Mas, mesmo assim, ela pode evoluir.

Nunca tivemos um momento de desespero, de falar: ‘Meu Deus, e agora?’. Romeo é uma bênção. Aprendemos todos os dias ao conviver com uma criança que é amor puro. Você coloca os pés na terra dos valores reais. É um privilégio.

Com estímulo correto, amor e apoio, elas respondem constantemente. Foi por isso que resolvi contar a nossa história. Foi emocionante ler mensagens do tipo: eu tenho um irmão, um filho assim. Existem milhares como ele. O retorno foi maravilhoso, por termos dado uma luz na vida de pais que procuram entender o que o filho tem. No Brasil, as pessoas têm pouca informação. Recebi mensagens de pais contando que o filho foi diagnosticado autista com um ano e meio, dois anos. Isso é crime.

Sei que um monte de especialistas vai me crucificar, mas ficar preso ao diagnóstico é a maneira mais fácil de limitar a pessoa. Ouvi histórias de médicos que dizem para as famílias: ‘Se preparem para cuidar dessa criança a vida inteira, economizem’.

Quando se coloca esse carimbo, os pais podem perder a esperança e deixar de dar os estímulos de que o filho precisa. E tem o preconceito. Por isso falo que essas crianças estão dentro de um espectro com muitas variáveis.

O caminho delas é ilimitado. A evolução do Romeo tem sido constante. Foi tudo muito orgânico. Após muita pesquisa, levamos ele, aos 3 anos, para Miami, onde encontramos uma clínica, um lugar mágico. Nos identificamos com a metodologia. Passamos um ano e meio lá, direto. A família inteira, um intensivo.

Eu viajava para Miami toda semana. Agora, vão entender a minha motivação para um gasto e uma disposição tão grandes. Os profissionais são importantes, mas os pais são fundamentais. Duas vezes por semana, eu dormia no avião. Na ida, ia do aeroporto direto para a clínica. Na volta, ia direto para o estúdio.

A última vez que voltamos à clínica foi no ano passado. Ele e os irmãos amam ir para lá. Não quero falar o nome nem dar detalhes do método, pois cada família tem que encontrar seu caminho. Não existem duas crianças iguais, com os mesmos sintomas.

Romeo é totalmente voltado para arte e tecnologia. É muito sensível. Crianças como ele estão aqui para nos ensinar. Sou guardião de um anjo. Somos os escolhidos.

Ele é bom aluno. Estuda numa escola bilíngue e fala inglês e português. É o popular da classe. Aprende no ritmo dele. Pesquisamos muitas escolas e escolhemos aquela que abraçou nossa família e nos deu oportunidade de ficar próximos. Permitiu que colocássemos uma profissional para estar com ele lá.

Além da professora, conta com outra especializada em inclusão. Tem aulas que faz com a classe, outras só com ela, naquelas matérias em que não consegue ter a mesma eficiência. Faz natação, fonoaudióloga. Vai ao clube e à casa dos avós e primos.

Quando ele tinha dificuldades maiores, nós o protegemos até ele ter uma base para um desenvolvimento firme. Hoje, em Miami, ele já fica sozinho com outros meninos no parque. O coração fica na mão ao vê-lo no escorregador, mas a gente deixa, e ele se joga.

Eu sempre quis ser pai. Gosto de prover, de cuidar. Romeo é o elo mais forte da nossa família. A minha maior motivação para ser uma pessoa melhor é por ele e para ele. Sou eternamente grato a ele por ter escolhido a Suzana e a mim e ter abençoado nossa vida.”

marcos2O apresentador de “Legendários” (da Record), com a mulher, Suzana Gullo, e os três filhos: Romeo, 8, Donatella, 5, e Stefano, 3: “Sempre quis ser pai. Gosto de prover, de cuidar. Romeo é o elo mais forte da nossa família”

marcos3Romeo, que foi diagnosticado com um distúrbio de desenvolvimento, foi esquiar no Colorado (EUA) com os pais nas férias de janeiro: “A gente visitou inúmeros especialistas. Todos dizem que ele não é autista. O espectro do autismo é amplo”, explica Mion.

marcos4Marcos Mion e Suzana Gullo com o filho Romeo ainda bebê. “Nunca tivemos um momento de desespero, de falar ‘Meu Deus, e agora?’”, diz o apresentador sobre o diagnóstico.

 

Sobre claudilsonpezao

Sou Claudilson Leite Pereira, mais conhecido como Pezão. Nasci em Prado (BA), em 15 de julho de 1966. Sou casado e pai de duas filhas. Moro em Guarulhos – SP. Em 6 de fevereiro de 2000 fiquei paraplégico. Apesar da deficiência, comecei a dedicar-me a causas sociais e, em 2003, filiei-me ao Partido dos Trabalhadores, dando início a minha carreira política. Atuo no Setorial da Pessoa com Deficiência, no PT. Cursei Tecnologia em Processos Gerenciais na Universidade Metodista em 2010. Minha história de vida é marcada por superações e conquistas. Fui eleito vereador por Guarulhos, para o mandato de 2013 a 2016. Em 2016 obtivemos 3.585 votos, porem não fomos reeleito. Sou pré candidato a vereador em 2020 sempre lutando pelas classes menos favorecidas.
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